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Géis de corrida comparados: Maurten vs SiS vs GU vs os restantes

A misturar uma bebida desportiva com uma garrafa de água
Photo by Renato Leal on Unsplash

O corredor dos géis de corrida é uma confusão. Quarenta marcas, uma dúzia de alegações de marketing por gel, e o preço por grama varia uma ordem de grandeza. Comprar géis para o dia da prova não devia parecer comprar um carro em segunda mão, mas parece um bocado.

Este é um percurso com opinião pelas principais marcas com que um corredor sério se vai cruzar. Não são todos os géis — são os líderes, os que têm uma diferença real, e um ou dois que vale a pena conhecer para situações específicas. Onde uma marca falha, dizemo-lo. O objetivo deste post é poupar-te dinheiro num produto que não te serve, não abençoar tudo o que há na categoria.

A matemática de quantos géis precisas mesmo está num post à parte: quantos géis deves tomar numa maratona. Este é sobre quais géis.

Vista rápida

MarcaHidratos/doseTecnologiaMelhor paraFalha em
Maurten25–30 gHidrogelEstômago sensível, dia da provaPreço, sabor (ou falta dele)
SiS22–30 gIsotónicoProvas quentes, sem água à mãoDisponibilidade nos EUA, sabor
GU22–24 gTradicionalDia de prova económico, variedade de saboresTextura, doçura agressiva
Neversecond30 gDuplo transportadorAlimentação a alta dose, relação preço-valorMarca recente, menos sabores
Precision Fuel30 gDuplo transportadorAlimentação de volume, rótulo limpoPreço, menos comum em loja
Huma21 gÀ base de chiaEstômago sensível, preferência por comida realContagem de hidratos mais baixa por dose
Spring21 gComida realUltras, treino gastrointestinalPoucos hidratos por grama para estrada
Honey Stinger21–24 gMel + wafflesAlternativa sólida, orgânicoPegajoso, duro no frio
Tailwind27 gLíquido (mistura)Ultra-distância, tudo-em-umNão é gel; precisa de frasco

Os três formatos que precisas de conhecer

Antes de irmos marca a marca, uma taxonomia rápida. Há três formatos de alimentação significativamente diferentes — e afetam mais do que só o sabor.

Géis tradicionais são uma pasta concentrada de açúcar: maltodextrina, frutose, água, aroma. GU, PowerBar, Honey Stinger, a maioria dos géis de supermercado. Ficam em torno de 25% de concentração de hidratos, o que é bastante acima daquilo que o estômago esvazia confortavelmente, por isso precisas de empurrar com água. Baratos, eficazes, e o formato com que a maioria dos corredores começou.

Hidrogel é o contributo da Maurten para a categoria. O gel contém alginato e pectina que formam uma matriz de gel a pH baixo (ou seja, no teu estômago), o que segundo a marca te permite tolerar concentrações mais altas de hidratos sem desconforto gastrointestinal. As provas do mecanismo exato são contestadas — estudos independentes não replicam todos o benefício — mas a experiência prática coincide: corredores que não aguentam outros géis costumam aguentar Maurten sem problema. Se é a química ou simplesmente o facto de não saber a nada (menos sabor = menos cansaço da doçura) é outra discussão.

Géis isotónicos são a especialidade da SiS. O próprio gel é misturado à osmolaridade dos fluidos corporais (~290 mOsm/L), por isso não precisas de água para o diluir. Útil em provas quentes, ultras, ou qualquer situação em que os abastecimentos de água sejam pouco fiáveis. Contrapartida: cada gel é maior e mais pesado porque é mais diluído por desenho.

Há também combustível líquido (Tailwind, Maurten Drink Mix, SiS Beta Fuel) — não são géis, mas resolvem o mesmo problema. Têm secção própria no fim porque para algumas distâncias de prova são melhor resposta do que os géis.

A matemática de quanto disto realmente precisas, ancorada em peso corporal e intensidade, vive na página da ciência.

Maurten

A escolha premium por defeito. Formulação hidrogel, 25 g (Gel 100) ou 40 g (Gel 160) de hidratos por saqueta, rácio 0,8:1 maltodextrina para frutose. Dois ingredientes que se conseguem pronunciar. Praticamente sem sabor — algures entre água doce e água doce ligeiramente mais espessa.

Maurten Gel 100 ($$) →

Para quem é: corredores com estômago sensível, corredores que perseguem 60+ g/h sem terem treinado o intestino para aguentar sabores agressivos a cada 20 minutos, e corredores com orçamento para isso. O hidrogel desce bem mesmo na ponta final de uma maratona, quando a maioria dos outros géis começa a parecer que está colada aos dentes.

Onde falha: o preço, sobretudo. A cerca de 4 € por gel, uma maratona em Maurten anda nos 30–40 €. É um número real, especialmente quando contas com os géis de treino que vais gastar. A coisa do “sem sabor” também incomoda genuinamente alguns corredores — não há recompensa, não há pista de sabor, só textura. Há gente que acha isto desconcertante.

Combina bem com: água, e pouco mais. O ponto do hidrogel é gerir a sua própria osmolaridade, por isso não precisas estritamente de bebida desportiva para empurrar.

Vale também a pena saber: o DRINK MIX 320 da Maurten é a opção com mais hidratos por garrafa na nutrição mainstream (80 g por garrafa de 500 ml). Se conseguires beber o combustível em vez de o mastigar, muda bastante a conta de géis.

Science in Sport (SiS)

A escolha por defeito para provas quentes e para corredores que detestam ter de empurrar géis com água. O GO Isotonic Energy Gel tem 22 g de hidratos por saqueta mas num formato isotónico que é bem maior do que um gel padrão — uns 60 g de produto total por dose. Espreme-se para dentro, sem água necessária.

SiS GO Isotonic ($) →

Para quem é: corredores em provas de verão, provas com abastecimentos esparsos, ou qualquer um que já se tenha lixado por ter de cronometrar um gel com um copo de água. O SiS Beta Fuel — a linha de duplo transportador da marca com 40 g — também é uma das melhores opções de volume elevado, se a encontrares.

Onde falha: a SiS é uma marca britânica e a distribuição nos EUA é irregular. Podes encomendar online mas nem sempre os apanhas numa loja de corrida local, o que torna inconveniente treinar com eles. O sabor é amor-ódio — muitos corredores acham os sabores artificiais. E a saqueta maior significa mais para carregar por grama de hidratos.

Combina bem com: nada, por desenho. Esse é o argumento todo.

GU

O padrão americano. Vinte e tal anos no mercado, à volta de 1,50 € por gel, disponível em todas as lojas de corrida do país, e alguém já odiou todos os sabores que alguma vez fizeram.

GU Energy Gel ($) →

Para quem é: corredores com orçamento apertado, corredores que se importam com variedade de sabores, e corredores em treinos longos onde uma opção de 4 € por gel custa mais do que a inscrição na prova. O GU também é genuinamente bom no que é — um gel padrão competentemente formulado com sódio adequado e um sabor reconhecível.

Onde falha: a textura. O GU é mais espesso do que a maioria dos géis concorrentes e fica enjoativo ao terceiro ou quarto. Há uma população assente de corredores que odeia o sabor; a marca inspira opiniões fortes em ambos os sentidos. Para alimentação de volume (8+ géis numa prova), o cansaço da doçura é real. O gel padrão também é de fonte única de hidratos (mistura de maltodextrina/frutose mas não num verdadeiro rácio de duplo transportador a contagens de hidratos mais baixas), o que limita a taxa que consegues atingir confortavelmente.

Para situações de hidratos mais elevados, a linha Roctane da GU sobe a contagem de hidratos para 24 g por gel e acrescenta aminoácidos e eletrólitos:

GU Roctane ($) →

Combina bem com: um abastecimento generoso de água e um sabor que tenhas mesmo testado no treino. Não te metas na roleta de sabores GU no dia da prova.

Neversecond

O recém-chegado com uma diferença real. Fundada por Asker Jeukendrup — o investigador de ingestão de hidratos cujo trabalho está por trás de toda a abordagem “duplo transportador” — a Neversecond é o que acontece quando a pessoa que escreveu os artigos decide que os produtos existentes não estão a seguir a ciência de perto.

Neversecond C30 Gel ($) →

Os géis C30 são 30 g de hidratos a um rácio de 1:0,8 maltodextrina para frutose, mesmo no ponto certo do duplo transportador. Têm sensivelmente o mesmo preço do GU mas com muito mais hidratos por dose, o que torna a matemática dos hidratos por euro bastante boa.

Para quem é: alimentadores de volume elevado que querem chegar aos 80+ g/h sem mastigar dez géis numa prova. A contagem de 30 g por gel permite-te espaçar mais os géis enquanto bates o mesmo total horário.

Onde falha: é mais recente, por isso o catálogo de sabores é mais pequeno e a distribuição em lojas físicas nos EUA ainda é irregular. A marca também aposta forte numa estética científica que alguns corredores acham desagradável (os géis chamam-se “C30”, o que soa mais a suplemento do que a snack).

Combina bem com: um plano de alimentação estruturado que estejas mesmo a seguir. A graça dos 30 g por gel é tornar viáveis 90 g/h sem te tornares um come-géis a tempo inteiro.

Precision Fuel and Hydration

A resposta britânica à Neversecond. Lista de ingredientes limpa, 30 g por gel, rácio 1:0,8, sabor neutro. O PF30 é o cavalo de batalha — uma opção séria para corredores a perseguir 80+ g/h.

Precision PF30 Gel ($$) →

Para quem é: maratonistas experientes e ultracorredores em alimentação de volume que querem uma alternativa menos agressivamente vendida ao Maurten a um custo ligeiramente menor. A Precision também tem o programa de testes ao sódio do suor mais forte de qualquer marca de nutrição — enviam-te um kit, medem a tua concentração de sódio no suor e emparelham-na com os seus produtos eletrolíticos. Se levas o sódio a sério, são difíceis de bater na integração.

Onde falha: o preço está mais próximo do Maurten do que do GU, e são mais difíceis de encontrar em lojas fora do Reino Unido. O sabor é intencionalmente discreto, o que joga contra ti se precisas de uma pista de sabor para te motivares a comer a meio da prova.

Combina bem com: a bebida eletrolítica PH 1500. O sistema integrado é o verdadeiro argumento de venda.

Huma

Um gel com inclinação para comida real, feito a partir de sementes de chia e puré de fruta, com cerca de 21 g de hidratos por dose. A textura é mais espessa e pulposa do que num gel tradicional — mais próxima de comida de bebé do que de xarope.

Huma Gel ($) →

Para quem é: corredores com estômago sensível que não se dão bem com géis de maltodextrina, corredores que se importam com a transparência dos ingredientes e corredores em provas mais longas (50 km, 80 km) onde o cansaço da doçura dos géis sintéticos é um problema real.

Onde falha: 21 g por gel é pouco para alimentação a ritmo de maratona. A 60 g/h precisarias de três Huma por hora, o que é logisticamente irritante. A textura espessa de chia também é mais difícil de espremer para fora da saqueta na ponta final de uma prova, quando tens as mãos frias e descoordenadas.

Combina bem com: ultras e treinos longos de trilho mais do que maratonas de estrada.

Spring Energy

A opção de comida real com seguidores de culto. Os géis Spring são feitos com coisas como arroz, banana, sal e manteiga de amêndoa, com cerca de 21 g de hidratos por saqueta — embora as contagens de hidratos variem por sabor e tenham sido conhecido alvo de uma polémica de testes independentes (alguns sabores, em testes independentes, ficaram bem abaixo da contagem declarada). Olha para o rótulo com olho atento.

Spring Energy ($) →

Para quem é: corredores de trilho e ultra, corredores que não toleram géis baseados em açúcar e corredores dispostos a aceitar uma contagem de hidratos por dose ligeiramente mais baixa em troca de ingredientes que conseguem pronunciar.

Onde falha: os testes independentes às contagens de hidratos nem sempre são lisonjeiros. Para alimentação de maratona de estrada a 60+ g/h, a Spring não é a opção mais eficiente — precisas de muitos e os hidratos por grama de produto estão no fundo da tabela.

Combina bem com: provas de 50+ km onde alternas comida sólida e géis, e uma postura mais descontraída sobre bater um número exato de hidratos por hora.

Honey Stinger

Géis e waffles orgânicos à base de mel. As waffles em particular são favoritas de culto para a janela pré-prova e para ultracorredores que precisam de mastigar em vez de engolir.

Honey Stinger Waffle ($) →

Para quem é: corredores que querem uma opção de comida sólida na sua mistura de alimentação, ultracorredores e corredores com fortes preferências por ingredientes orgânicos.

Onde falha: o mel é pegajoso e fica ingovernável a temperaturas baixas (as waffles podem ficar duras como pedra abaixo dos 5 °C). A contagem de hidratos por dose é moderada. A Honey Stinger é ótima como segundo ou terceiro item num kit variado de alimentação, menos convincente como gel principal.

Combina bem com: um kit de dia de prova variado (géis para a alimentação contínua, waffles para os momentos em que não aguentas mais um gel).

Combustível líquido: Tailwind

Não é um gel, mas vale a pena cobri-lo porque para alguns corredores substitui completamente os géis. O Tailwind é uma mistura de bebida pensada para ser a tua única fonte de combustível — hidratos, eletrólitos e calorias numa só garrafa, a uma osmolaridade suficientemente baixa para se beber como uma bebida desportiva em vez de ser empurrada com água.

Tailwind Endurance Fuel ($$) →

Para quem é: ultracorredores, corredores cujo estômago se revolta contra géis mas tolera bebidas doces, e corredores que correm com mochila de hidratação onde conseguem misturar uma única fonte de combustível nos frascos. O argumento “não precisas de mais nada” é genuíno.

Onde falha: 27 g por dose significa que estás a beber muito líquido para chegar aos alvos de hidratos de uma maratona, o que fica pesado numa prova de estrada onde não estás a usar colete. O Tailwind foi feito para o contexto de ultra; numa maratona de cidade com abastecimentos, é um encaixe estranho.

O que devias usar TU?

A árvore de decisão honesta:

Maratona, estômago sensível, disposto a pagar: Maurten Gel 100. Treina com ele. Não mudes no dia da prova.

Maratona, estômago normal, orçamento apertado: GU ou Neversecond. GU se queres variedade de sabores e disponibilidade em loja; Neversecond se queres mais hidratos por gel e estás à vontade a encomendar online.

Maratona, a perseguir 80+ g/h: Neversecond C30 ou Precision PF30. Ambos são 30 g por gel em rácios próprios de duplo transportador. Escolhe pelo sabor que preferes, não pelo marketing.

Prova quente, água pouco fiável: SiS Isotonic. Menos compromisso do que parece.

Ultra, estômago sensível, preferência por comida real: Huma, Spring ou waffles da Honey Stinger em rotação. Não te prendas a um único produto para 8+ horas de corrida.

Maratona sub-3:00, intestino treinado, a ir a tudo: Maurten DRINK MIX 320 num frasco mais 4–5 géis de apoio do teu escolhido testado em treino. A bebida entrega 80 g de hidratos por garrafa, que é a forma mais rápida de chegar aos 100+ g/h sem tomar um gel a cada 12 minutos.

A regra mais importante é a que nada tem a ver com marca: não introduzas um gel novo no dia da prova. Seja qual for o que escolheste desta lista, testa-o nos teus últimos três treinos longos à taxa de hidratos que realmente planeias atingir. A tolerância intestinal é a variável que mais conta, e a tolerância intestinal treina-se. O dia da prova não é altura para descobrir que o teu estômago discorda do teu plano de nutrição.


Esta orientação é informativa e baseia-se em intervalos publicados para atletas de resistência adultos saudáveis. Se tens uma condição metabólica, cardiovascular ou gastrointestinal que afete a forma como absorves hidratos de carbono ou líquidos, fala com um médico antes de mudares a tua alimentação de prova.

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